O peso do pássaro morto - Aline Bei

O peso do pássaro morto - Aline Bei
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Terminei a leitura de O peso do pássaro morto da Aline Bei e fiquei com uma sensação pesada, meio incomoda. É um livro triste. Triste de verdade. Não daquele tipo melancólico bonito, mas de uma tristeza que vai se acumulando, acontecimento após acontecimento, como se não houvesse muito espaço pra respirar.

Canvas livro O Peso do Pássaro Morto - Aline Bei

No final, a impressão que fica é quase simples demais, a vida é um sopro. Passa rápido, escapa pelas mãos. Só que junto disso veio um pensamento que não consegui ignorar, a personagem em muitos momentos parece gostar de sofrer. Ou talvez não gostar, mas aceitar. Ela faz pouco pra mudar o rumo das coisas. Desde muito cedo, vai desenhando os próprios caminhos para essa sofrência toda.

Confesso que não gostei do estilo em forma de poesia. Muitas quebras de linha, muito texto fragmentado. Em alguns momentos, quando isso dava uma trégua e surgiam frases mais longas, completas, eu sentia um alívio. Ler frases inteiras me acalma os olhos, a cabeça.

No começo achei sensacional. Faz muito sentido como retrato de uma criança escrevendo, pensando, sentindo. Cheguei até a imaginar que isso mudaria com o tempo, que a escrita cresceria junto com a personagem. Ok, fui inocente. A poesia é o livro, faz parte da proposta. Entendo isso. Só não me agrada. Pra mim fica fragmentado demais, cansa, desgasta.

É inegável que a escolha do formato ajuda a suavizar o impacto do que está sendo dito. Talvez se fosse uma prosa mais tradicional, algumas passagens seriam insuportáveis. Ainda assim a leitura chega como um soco no estomago. Daqueles que deixam sem ar por um tempo. É livro pra ler rápido, de uma vez, porque parar no meio parece pior. Ponto super psoitivo da autora em não “encher linguiça” para criar mais páginas, achei que ficou na medida.

O livro transborda sentimento o tempo todo, é sensível. Mas também é uma sequência de tristeza. Tragédia atrás de tragédia. Fquei com a sensação de ter atravessado páginas e mais páginas só de dor. Isso me deixou pra baixo durante a leitura inteira.

É um livro que faz sentir e pensar muito. É intenso, triste e único. No final da vontade de abraçar os pais, de abraçar o cachorro. Tirando as quebras de linha gostei muito do estilo de escrita da autora. Não é um livro que da vontade de reler, mas com certeza é um livro que vou lembrar.