Lendo Iludidos pelo acaso de Nassim Taleb
- 12 de abril de 2026
Fazia tempo que eu queria ler Iludidos pelo Acaso. Sempre ouvi falar bem das ideias do Taleb, principalmente essa visão mais provocativa sobre sorte, risco e como a gente interpreta o sucesso. Fui com uma expectativa alta, talvez até alta demais.
Logo no começo tive a sensação de que as ideias são boas, mas a forma como ele escreve cansa um pouco. Parece que ele quer provar o tempo todo que é inteligente. Que ele estudou, fez por merecer e todos demais estão a merce da sorte, enfim apenas uma primeira impressão, como disse, o livro tem ideias boas.
A principal pra mim é que a gente superestima muito o mérito e subestima demais o papel da sorte. A gente olha pros “vencedores” e cria uma narrativa bonita… disciplina, visão, estratégia. Só que a gente esquece de todos os outros que fizeram praticamente a mesma coisa e falharam.
Outra visão interessante é sobre padrões. O cérebro humano é viciado em encontrar sentido em tudo, vemos uma sequência aleatória e já queremos explicar, criar teoria, criar lógica, criar história. Só que muitas vezes, não tem nada ali, é apenas uam sequência aleatória. Se você parar pra pensar isso conecta muito com o mundo financeiro, que é de onde ele puxa muitos exemplos inclusive. Estratégias que funcionam por um tempo dão a impressão de que são geniais, até que vem algum evento fora da curva e joga tudo pelos ares. Então você percebe que talvez não era uma super habilidade, era só sorte sustentada por um tempo.
Tem um exemplo que achei simples e bom. Imagina dois caminhos de vida, um com 1% de chance de dar muito certo e 99% de dar errado. Outro com 95% de dar certo e 5% de dar errado. Se você só olha quem “venceu”, pode parecer que os dois caminhos são parecidos. E aí entra o tal do “viés do sobrevivente”. Só enxergamos quem deu certo. Quem deu errado simplesmente some da história.
Agora, sendo bem sincero, na minha humilde opinião… o livro poderia ser bem menor. Tem muita repetição, muitos exemplos que não agregam tanto assim. Em alguns momentos parece mais um fluxo de pensamentos do que um argumento bem estruturado. Muitos são difíceis de conseguir aplicar na prática, por mais que a linha de raciocínio faça sentido enquanto você está lendo.
Mas ao mesmo tempo, tem algo interessante na personalidade dele. Ele não tenta agradar o leitor, ele simplesmente fala o que pensa, às vezes de forma que soa arrogante. Gostei das ideias, principalmente dessa visão mais realista (ou até meio dura) sobre sucesso e sorte. Me fez pensar em várias decisões, várias histórias que contamos até pra nós mesmos. Mas não gostei tanto da experiência de leitura. Foi meio arrastado em alguns momentos e pensei em abandonar várias vezes.
Ainda assim, acho que vale a leitura, mas recomendo que você esteja em um momento descontraído o suficiente para aceitar as ideias de aleatoriedades da vida, talvez eu não estava tão aberto assim. É um livro que não necessariamente te ensina algo novo, mas muda a forma como você enxerga coisas que já estavam definidas com maior complexidade na sua cabeça.