Demon Copperhead – Barbara Kingsolver
- 11 de março de 2026
Recentemente terminei a leitura do Demon Copperhead da Barbara Kingsolver. Confesso que quando comecei eu nem sabia que era uma releitura do David Copperfield do Dickens. Descobri só quando estava lendo, mas ele tem muito estilo próprio.

A história é narrada pelo Demon, um menino que nasce no interior da Virgínia, em um trailer, filho de mãe adolescente e com o pai já morto antes dele nascer, o apelido vem do cabelo ruivo. A vida dele basicamente vira uma sequência de perdas. Ele perde a mãe, perde o lugar onde mora, perde a confiança em qualquer adulto. Vai passando por casas de acolhimento, famílias que exploram trabalho de criança, gente que deveria cuidar mas claramente não cuida.
No meio disso tudo ele cresce, adolescencia chega e junto vem a descoberta das drogas. Começa com remédio pra dor após uma lesão, aos poucos vira vício e abre porta pra outras coisas.
Uma coisa que gostei muito foi o jeito da narração. O Demon conta tudo meio com raiva, meio com humor. Não é aquele narrador que explica o mundo pra você, parece mais alguém tentando entender o que está acontecendo enquanto as coisas acontecem.
Você acompanha um menino sendo jogado de um lugar pra outro, perdendo família, amigos, sendo usado por adultos… e mesmo assim ele segue em frente, até porque não tem alternativa mesmo.
Tem um ponto interessante no livro que ele não tenta apontar um grande culpado, não existe um vilão único. É mais um sistema inteiro meio quebrado. Pobreza, abandono, drogas, falta de estrutura… tudo meio misturado.
É um livro pesado, não é leitura leve pra escapar do mundo, mas ao mesmo tempo ele prende muito, da vontade de continuar lendo só pra ver até onde aquilo vai, ou se em algum momento as coisas melhoram um pouco.
Recomendo principalmente pra quem gosta de ficção mais crua, dramática. Não é exatamente uma história confortável, mas é uma história muito bem contada.