A Menina que Roubava Livros - Markus Zusak
- 20 de janeiro de 2026
“Eis um pequeno fato: você vai morrer.”
É assim que começa A Menina que Roubava Livros, escrito por Markus Zusak. Já nesse começo da pra perceber não é uma leitura comum. É um aviso que vai ficar ali o tempo todo, mesmo quando a história parece leve.

A história se passa na Alemanha nazista, a partir de 1939 e é narrada pela Morte. Sim, a Morte. E isso poderia facilmente dar errado, mas não da. Pelo contrário, funciona muito bem, achei genial a Morte narrar a história. A Morte aqui tem personalidade, ela é irônica, cansada, as vezes quase gentil. Ela observa os humanos com uma mistura de curiosidade e tristeza, tentando entender como as pessoas conseguem ser tão boas e tão cruéis ao mesmo tempo.
Acompanhamos Liesel Meminger, uma menina que perde o irmão no começo da história e é enviada para viver com pais adotivos. Lá ela cria laços profundos com o pai adotivo, Hans, talvez um dos personagens mais simpáticos e afetuosos do livro inteiro, e com Rudy, o melhor amigo, leal, impulsivo e impossível de não gostar.
Os livros entram na vida da Liesel quase por acaso. Ela rouba o primeiro sem nem saber ler. Com o tempo aprender a ler vira uma forma de sobreviver, talvez de fugir da vida que leva.
Em determinado momento, a família esconde Max, um judeu, no porão da casa. E ali o livro fica ainda mais pesado. O medo constante, o silêncio, as inspeções, a sensação de que qualquer erro pode custar a vida de todo mundo. Tudo isso é mostrado pelo olhar de uma criança, que não entende totalmente o contexto político, mas sente toda a angustia e injustiça que se passa.
Uma das coisas que mais me marcou é o tema das palavras. O poder delas. Hitler domina pela palavra, a propaganda, os discursos, os símbolos. Liesel e Max resistem com palavras também. Com leitura, com histórias, com escrita. É bonito e é cruel ao mesmo tempo, porque a gente sabe como isso termina, mesmo quando o livro finge que não.
A leitura no abrigo durante os bombardeios foi algo que também me marcou. Assim como as marchas de judeus passando pela cidade. Hans oferecendo pão e sendo espancado por isso.
O final… bom, o final eu já esperava. A própria Morte avisou lá no começo. Tempos sombrios que o mundo vivenciou, e que se pararmos para analisar em alguns países, até hoje vivenciam.
Depois de terminar a leitura fui assistir o filme com a minha esposa e fiquei feliz por ter lido o livro antes de ver o filme. Achei o filme bem fraco, muito aquém do que o livro entrega. Se eu tivesse começado pelo filme, provavelmente eu teria perdido o impacto que só a leitura consegue dar.
O livro não é perfeito. Longe de ser o melhor livro que li. Mesmo assim ele é muito bom. Um livro sobre morte que no fundo, fala sobre humanidade. Sobre como mesmo em um dos piores períodos da história ainda existiam pequenos gestos de bondade, amizade e coragem.
Recomendo!