Piranesi - Susanna Clarke

Piranesi - Susanna Clarke
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Terminei de ler Piranesi com uma sensação difícil de explicar. Foi sem dúvida um dos livros que mais me deixou desorientado depois de ler a última página. Não é confuso no sentido de ser mal escrito ou desorganizado, mas porque ele simplesmente não segue um caminho narrativo tradicional. Quem entra esperando uma história com começo, meio e fim bem definidos provavelmente vai se frustrar.

Canvas do livro Piranesi - Susanna Clarke

É um livro que anda devagar. Muito devagar. Isso não é um defeito, é parte da proposta do livro. Piranesi não quer te contar uma história fechada, ele quer ser sentido. A leitura é mais contemplativa do que narrativa, mais sobre sentir, contemplar e observar do que sobre ação ou grandes acontecimentos.

A Casa com seus salões infinitos, as estátuas e marés viram quase personagens. Tudo ali tem peso simbólico, mas nada é entregue de forma óbvia. O livro vive muito mais das perguntas do que das explicações. Quem é Piranesi de verdade? O que é a Casa? O que é real e o que é memória ou imaginação? Muitas dessas perguntas nunca recebem uma resposta clara, e isso pode incomodar bastante.

Ao mesmo tempo, é justamente isso que torna o livro marcante. Ele continua fazendo pensar depois da leitura. Você fecha o livro, mas ele continua com você. As ideias ficam rondando, as cenas voltam, algumas frases reaparecem na cabeça…

Com absoluta certeza não é um livro pra todo mundo. Quem gosta de ritmo rápido, explicações claras ou enredos bem amarrados provavelmente vai odiar. Mas pra quem aceita se perder um pouco, ler sem pressa e deixar o livro trabalhar mais no campo da sensação e da reflexão, Piranesi pode ser uma experiência legal.

Não é um livro que eu diria que é minha preferência de leitura, mas é um livro que deixou sua marca.