Pachinko - Min Jin Lee
- 8 de junho de 2026
Terminei Pachinko da Min Jin Lee e afirmo que é uma história enorme, muito boa, cheia de peso histórico e emocional, mas que no fim parece que simplesmente acaba. Não é que o final seja ruim, mas ele me deixou esperando um fechamento maior, alguma amarração mais forte depois de tantas páginas acompanhando aquela família.
O livro começa muito bem principalmente com a Sunja e a primeira geração da família. Pra mim é ali que ele tem mais força. A vida dela, as escolhas difíceis, o peso da familia, a relação com a vergonha, com sobrevivencia e com sacrificio, tudo isso vai sendo construido de um jeito muito humano.
Uma das partes mais fortes do livro é a reconstrução histórica da relação entre Coreia e Japão. Confesso que eu sabia muito pouco sobre esse período e fui aprendendo junto com a leitura. A ocupação japonesa, o preconceito contra os coreanos, a dificuldade de construir uma vida no Japão sem nunca ser visto como japonês de verdade, tudo isso aparece de forma muito concreta. Não parece aula de história, mas ao mesmo tempo ensina bastante.
Também gostei muito do retrato dos imigrantes coreanos no Japão. O livro mostra bem esse lugar desconfortável de não pertencer completamente a lugar nenhum. Eles carregam a Coreia na memória, na comida, na familia, na forma de viver, mas precisam sobreviver em um país que os trata como inferiores.
Sunja é uma personagem marcante porque ela não precisa ser grandiosa pra ser forte. A força dela aparece nas escolhas pequenas, no trabalho, no silêncio, na tentativa de manter todo mundo de pé. Ela representa muito essa ideia de sacrificio que atravessa o livro inteiro, de uma geração pagando um preço enorme para que a próxima tenha alguma chance, mesmo que essa chance nunca venha limpa, nunca venha facil. Esse é o retrato de muitas famílias.
A história se desenrola muito bem, mas ao mesmo tempo, acho que a segunda metade perde um pouco de foco. Conforme a família cresce e o livro salta entre gerações, alguns personagens passam rápido demais. Tem gente que aparece dando impressão de protagonismo mas depois meio que some, sem um encerramento claro. Isso dificulta criar o mesmo apego que a gente cria no começo, com Sunja e os primeiros personagens.
Essa talvez tenha sido minha maior dificuldade com Pachinko. A primeira parte é tão envolvente que a expectativa fica muito alta. Depois, quando a narrativa se espalha entre filhos, netos, novos conflitos e novos tempos, ela continua interessante, mas menos intensa. Ainda tem bons momentos, mas a sensação é que o livro abre muitas portas e nem todas recebem a mesma atenção.
Considero um livro 4 estrelas, tem uma trama muito boa, bem desenrolada, pesquisa histórica e impacto emocional, mas que poderia ter sido ainda melhor com mais desenvolvimento dos personagens da segunda metade e um fechamento mais conclusivo. Percebi que os livros que não possuem um final claro me deixam com sentimnto de frustração. Mesmo assim é uma leitura que vale a pena, recomendo!